terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ouvidos seletivos



Meus ouvidos ensurdecidos
Diante de palavras vulgares,
Pedem socorro!
-Morram todas elas!
Fechem as portas
Para os meros conhecedores,
Pouco entendidos,
Mais pomposos do que sabidos.
Tão somente desejam eles ser sedutores,
Com palavras viçosas e vazias,
Gritam aos quatro cantos as suas porcarias...
Seja seletivo, ouvido meu.
Joga para o teu irmão,
E que ele coloque para fora
As besteiras que te lançam a cada hora
Como que para matar quem já morreu.



Ana Patrícia Oliveira Peixoto

Desejos


Eu sinto em mim, forças poucas,
Mas vontades muitas...
Entrego-me então, às coisas loucas
Que saem da cabeça e param na boca.
Às vezes ficam na língua e são engolidas.
São sonhos, desejos, verdades e mentiras

Meus pés, oh! Meus pés...
Malcriados pés, desobedientes,
Inconstantes, dementes!
Parecem insensíveis aos espinhos...
Esquecem que carregam um corpo.
Desvairados, procuram os piores caminhos...

Estou na ponta do penhasco
Tenho medo de cair,
Mas a paisagem é tão deslumbrante
Que me convence a não sair daqui.

Sinto na pele as caricias do vento
E nos primeiros raios de sol
A alegria do renascimento.
Minhas mãos, tremulas, tocam a preguiça,
A vontade de se entregar ao prazer
Ao choro, ao riso, e as delícias...


Ana Patrícia Oliveira Peixoto

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CURIOMANIA, isso é feio!!!


Ontem, Aconteceu uma das coisas mais engraçadas e trágicas da minha vida. Na verdade, eu não sei por que, mas tive vontade de narra-lhes o que aconteceu. Então, aí vai:
Eu tenha uma MANIA muito estranha, quando estou em estacionamentos, ou em qualquer lugar que haja algum carro parado, eu sinto um desejo indescritível por ver se a porta do carro realmente está fechada. E sou extremamente curiosa, por esta curiosidade, já paguei caro muitas vezes, mas ainda sim, não abandono o vício da curiosidade. É como uma droga, por mais caro que lhe saia, você deseja o prazer de saciar seu desejo, e de sentir a sensação do ato de satisfazê-lo. Essa curiosidade, aliada a minha maldita mania de “ver se a porta do carro está aberta, custou-me uma “confusão”, e muito arrependimento.
Fui à igreja, como de costume nos domingos à noite. Durante a pregação, eu senti vontade de ir ao banheiro, então me retirei do templo. Voltando do banheiro, eu não entrei na igreja. Senti-me ridiculamente, atraída pelo estacionamento. Então passei por uns cinco carros. Estava chato, tedioso, mas eu gostava de estar fazendo aquilo. Cheguei a um dos carros, e quando percebi que a porta estava aberta, e que não havia ninguém por perto, eu Dei uma risada histérica, digna de uma camisa de força. Eu não podia acreditar que algum maluco, deixou a porta do carro aberta. Havia um alarme de segurança, para indicar se a porta do carro havia sido aberta por alguém. Eu abri a porta, aproximadamente umas quatro vezes. Achei engraçado, não me importei com as conseqüências... Eu só estava imbecilmente feliz em ter achado uma porta aberta.
E eu não sabia, mas havia uma pessoa vendo o que eu fazia. No final do culto, uma conhecida minha (Se não me engano, o carro é de algum amigo dela) Chegou para mim, perguntando o que eu queria com o carro. Por um segundo, não compreendi o que ela quis dizer com aquilo. Ela então perguntou diante da minha expressão de espanto:
- Foi você quem abriu a porta do “meu” carro?
Na mesma hora, eu disse-lhe, ainda abobalhada: - Sim, fui eu.
Eu temi muitas coisas na hora, entre elas, é a de que interpretassem mal minha curiosidade. Pensassem que eu abri a porta do carro deles, de uma maneira maliciosa e mal intencionada. Mas foi tudo por uma “CURIOMANIA”. Mas, como explicar aquilo? Afinal de contas, nenhuma explicação parecia digna ou fiel a realidade. Para que diabos eu abri aquela porta? Nem eu entendia direito, como poderia me fazer compreendida? Meu nervosismo e insegurança, felizmente não conseguiram fazer com que eu lançasse mão à imaginação. Eu poderia não ter admitido que eu fiz aquilo, dizer que alguém mandou que eu fizesse aquilo... Ou coisa parecida... Mas eu disse a titubeante e estranha verdade: “-Sabe o que é?... Tenho a mania de conferir se a porta dos carros está aberta, e encontrei a sua aberta.” Minha reposta, eu não sei se a convenceu... Mas eu consegui ser perdoada, pelo menos, é o que parece. Ela me deu a advertência: “-Nunca mais faça isso, isso é feio.” E isso me fez sentir no jardim de infância novamente (confesso que meu comportamento foi equivalente a isso)
Na hora em que ela veio me advertir, eu estava com uma amiga, conversando, e rindo de bobagens. As últimas palavras dela foram: “- Não aprenda isso com ela não menina, isso é muito feio...” Com certa ironia eu respondi: “-Não se preocupe, ela não vai aprender isso comigo” e em pensamento eu disse a mim mesma: “-...Ela não é tão idiota quanto eu...”

sábado, 28 de março de 2009

A busca


Cansei de viver metade
Metade do tempo
Metade do amor,
De dizer meias verdades
E não ser íntegro comigo mesmo,
Não ser inteiro, conciso.

Cansei de buscar sentido
Em bebidas, pernas compridas,
Em distâncias: chegadas e partidas
Em sair desesperadamente pra outro lugar
Sem saber por que, sem nunca achar

Parei! Parei a dança do cansaço
Dos bares mulheres e desgasto
Que esgota a utilidade de ser
As verdades de viver
Os sabores tão reais
E desgostosamente banais

Vou ser real ao menos hoje
Nesses dias de ninguém
Eu me tornarei alguém

By : Fabiano Silva e Ana Patrícia Oliveira Peixoto

sexta-feira, 27 de março de 2009

A sós




Vou me retirar da presença de alguém
Quem quer que seja, estarei longe...
Vou desaguar no mar,
Na multidão estática de povos.
Mantendo-me sem ninguém,
Mantendo-me de ninguém

Embora, embora não seja hora
Talvez me faça mal,
Mas mal que seja será bom...
Melhor que aqui!
Onde a falsidade me persegue,

Ode a besta do trono se ergue...
Basta! Enquanto viver, serei só meu
Meu... Meu! E de mais ninguém.
Nenhuma fonte cessa minha sede,
Nenhum tormento me detém.



by.: Ana Patrícia

sexta-feira, 6 de março de 2009

Récem sentimentos...


Há quem se achegue e tente ver,
Tente perceber...
Mas não transmito o que poderia,
E não me permito tamanha ousadia.

Chego a ser sem derramar minha essência...
E gritei a todos!E nem todos me ouviram.
Calei, mas colocaram palavras em minha boca.

De noite e de dia, a vida se tornou louca...
A mais sensata loucura que me persegue!
O crepúsculo e a aurora, o nascimento e a morte...

Ah! Quem me dera ser normal...
Quem me dera sobressair-me ao vulgo!
E sair de dentro de mim...
E viver livre da alma maligna,
Que mata maltrata e crucifica.

Já desejei não desejar,
Mas o desejo me consome.
Arranha minha vontade e corta meu juízo...
Por certo, meio incerto e completamente preciso,
Não sei nada e nada sou... Se não mais um vivo!


By.: Ana Patrícia Oliveira Peixoto

domingo, 1 de março de 2009

Ondas


E me vem o vai e vem
A fé e a revolta
Sem esperança num céu sem Deus
Fragilizada pela névoa
Que retém a utilidade da visão
E da vontade de gritar calado
E de mover as peças em direção incerta
Não sei se entendo
Mas a certeza do sim me sussurra: Sabe
Seduzindo minha soberba a clave.
E daí fico feliz estando triste
Sem saber na verdade
Se “Pó de pirlim-pim-pim” existe.


By Ana Patrícia Oliveira Peixoto

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Não há respostas exatas para definir seres relativos \o/